Archive for the 'Opinião' Category

Sicko, Canada e o Brasil

Ontem assisti ao filme Sicko, um documentário, do famoso Michael Moore, sobre o sistema de saúde americano. O filme já deve ter quase 1 ano, ou mais, e eu, por algum motivo estranho, não havia asisitido. Eu gosto dos filmes dele. São tendenciosos e apaixonados, mas sempre deixam questionamentos no ar e mexem com assuntos delicados e importantes. Durante esse filme ele compara alguns países e seus sistemas de saúde. O Canadá aparece de uma forma bem positiva, quase como algo perfeito.

Todos nós que estamos no processo de imigração, sabemos das deficiências do sistema de saúde canadense, e também das qualidades. Sei que o Canadá não é o paraíso nesse quesito, mas fiquei bem curioso para saber como isso era retratado no ranking da Organização Mundial de Saúde, citado no filme, e principalmente, como ele se comparava ao Brasil.

Dos países que ele cita no filme, realmente França e Reino Unido se destacam, e o Canadá está em 30o. lugar. Os EUA, que parecem o inferno no filme, estão em 37o, e Cuba em 39o. E o Brasil ? Ele está lá na posição 125o. do total de 191 países. Perfeito, não ?

Durante esse processo de imigração ficamos sempre especulando, criando imagens e conceitos a respeito do Canadá. Temos o Brasil como referência, e essas imagens que criamos são de certa formas relativas ao que temos aqui. Comparações são inevitáveis, mas as vezes me questiono se realmente é possível comparar o Canadá ao Brasil. Sobre o sistema de saúde, por exemplo, alguém pode argumentar que prefere morar no Brasil, pagar Unimed, e ter atendimento melhor do que o que encontrará, ou encontrou, no Canadá. Muito justo isso, mas é um ponto de vista totalmente egoísta. É a “Lei de Gerson”, aplicada em sua forma disfarçada. E o resto ? E os outros, que são grande maioria, e não podem pagar plano de saúde ? Que se lasquem, eu tenho minha Unimed, eu me dei bem, isso é o que importa. Será ?

Na minha opinião, se pensarmos como um cidadão que faz parte de uma comunidade, esse argumento de Unimed se desfaz. Eu sinceramente acredito que é aí que está a diferença, essa noção de comunidade, que se reflete e se enraiza em todos os aspectos da sociedade. É esse o grande argumento que me levou a alimentar e a tocar esse projeto para a frente. São valores mais sólidos que, acredito, farão bem a minha família.

Abraços.

Daniel

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Bodas de rinoceronte…

Ontem completamos 16 meses de processo. Isso é mais ou menos o tempo de gestação de um rinoceronte. Os elefantes chegam aos 22 meses de gestação, o me fez concluir que, devido aos atrasos no processo, a Maria João deve ser um elefante. Acho essa idéia bem melhor, imaginar ela como um elefante, do que a que tinha no início do processo, quando imaginava ela a cara da Ana Hickman.

Nessa altura do campeonato “deverímaos” estar recebendo o pedido de exames médicos para concluir o processo. Isso nas projeções pessimistas. Como vocês viram no primeiro parágrafo, essa espera toda nos deixa meio pertubados e pensando besteira, transformando Ana Hickman em Elefante.

Eu sinceramente ando meio, desculpem a palavra, PUTO com essa história toda. Sabe ? essa conversa de ficar se humilhando pra o “maravilhoso Canadá” nos aceitar lá. Eu paguei por esse processo, paguei caro e ainda vou pagar mais. Depositei muitas reservas emocionais, espirituais e físicas, nessa brincadeira, e por isso acho um completa falta de respeito o que fazem com os candidatos a imigrante. Um espera longa, sem previsão, sem feedback. Depois dos anos esperando, e gastando dinheiro, vamos para o Canadá onde nossos diplomas, experiências de trabalho, etc, serão resetadas e ignoradas. Na minha opinião de cearense eles estão “botando muito boneco”, “frescando” demais com nossa cara. Ruim para o Canadá.

Eu sinceramente, acredito que sou um profissional qualificado, investindo tempo, dinheiro e querendo levar a família para morar lá. Imagina isso ? Uma família disposta a largar tudo para ir contribuir para a economia canadense. Sou com certeza uma boa aquisição para o Canadá. Na minha opinião, eles é que deveriam estar me pagando e implorando para eu imigrar, mas fazem o contrário, e depois do processo concluído ainda impõem uma série de barreiras para os recém chegados.

O processo de imigração vem sofrendo com a famosa lentidão do povo canadense. Está parando na burocracia e seguindo caminhos errados, retrocedendo. Eles precisam de imigrantes e portanto é necessário que façam reformas profundas em todo o processo. E isso é para já, agora, não dá mais para esperar.

Se me perguntarem hoje, eu digo… não entre nesse processo, não agora. Se você quer muito ir para o Canadá, espere até que eles definam as novas regras e diminuam o “backlog”, a fila.  Se você quer morar fora e procura uma opção, vá para a Austrália. O processo deles é melhor, mais rápido, mais eficiente a a Austrália ainda tem boas ondas para surfar.

Desculpem o desabafo, mas chega um ponto em que não dá mais pra manter essa postura submissa de imigrante desesperado que dá até o “foreviz” pra morar no Canadá. Se eles “frescarem” demais vão perder a oportunidade de me ter por lá.

Abraços

E uma ótima semana a todos….

Daniel

PS. Esse post é um reflexo do controle de ansiedade. hahaha. A ansiedade baixa e passamos a ver as coisas de outra perspectiva. Não ando nem um pouco ansioso, diria que estou mesmo é decepcionado com a demora.

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Controlando a ansiedade

Enquanto o tempo passa e nada se define, nós, que estamos “in process”, travamos uma batalha diária com a ansiedade, incertezas, e com a vida que continua andando normalmente. As vezes é preciso parar, reavaliar a situação em que estamos e retomar o controle sobre nossas vidas.

Há alguns dias, lendo posts de um grupo de discussão que participo, me deparei com a seguinte notícia : “Canada votes on October 14″. Confesso que não entendo bem como funciona a política canadense, mas é óbvio que uma eleição, que não era esperada, agora em outubro, vai gerar um período de indefinição e consequentemente nossos processos ficarão em “stand by”. E esse é apenas um dos fatores que estão trabalhando a favor da demora na definição de nossos vistos.

Em outra frente, o governo canadense como forma de diminuir a fila e agilizar os processos, de imigrantes que eles querem por lá, já vem estudado a aplicação de novas leis há algum tempo. As leis, já aprovadas, dependem agora de estudos sobre profissões em demanda nas províncias canadenses. Os estudos estão em andamento, e quem entrou como o processo depois do dia 27 de fevereiro de 2008, está com tudo parado, esperando essa definição.

Juntando tudo isso a uma época de crise econômica mundial e recessão sempre iminente, para o candidato a imigrante, o que fica é um enorme incerteza sobre o futuro, incerteza inclusive sobre a viabilidade do processo.

Na minha opinião, a causa de toda essa ansiedade é a especulação e a falta de uma definição. Colocamos muito de nossas vidas nesse processo e ficamos ansiosos quando perdemos o controle sobre as coisas, quando vemos nosso destino totalmente indefinido, sem prazo para se ajustar. Acredito que cabe a nós tomar as rédias da situação e reduzir essa ansiedade.

Aqui em casa, as coisas estavam bem complicadas. O assunto de imigração já estava virando tema de briga, o que é exatamente o oposto do que queremos. Aos poucos fomos tomando consiência sobre algumas pontos que estavam causando todo o desequilíbrio e nos posicionamos de forma diferente diante da situação. Para nós algumas coisas funcionaram.

Tomar o controle sobre os prazos. Já que o consulado não se define, e ficar calculando prazos com base em 16, 18 meses é algo puramente especulativo, decidimos colocar nossa expectativas lá para frente. Superdimensionamos o prazo, e agora em vez de sonhar em ir esse ano, já cogitamos, pelo menos eu, a possibilidade de ir só após o inverno. Isso nós dá tempo de sobra para concluir o processo. O alívio é quase imediato, pois agora temos um prazo “definido” para ir, com uma chance muito grande de funcionar. Raquel, bem mais ansiosa que eu, quer ir em fevereiro, mas no fim, essa decisão não é nossa, ela depende do consulado.

Retomar alguns projetos parados. Fazer a reforma que precisa, comprar alguma coisa que você vinha evitando, gastar um pouco, consertar o carro. Isso ajuda bastante, pois acaba com a sensação de estagnação. Nossa vida parecia estar desmoronando. Confesso que as vezes pensava que daqui a pouco não teria mais roupa, trabalho, nem carro… Esse carro, que era nosso bem mais valioso, como toda a demora, foi se acabando e se desvalorizando. Tudo isso andava de lado, e se degradando aos poucos, tudo na mão do consulado, esperando uma definição.

Entender que o processo de imigração é algo que deve andar em paralelo, em silêncio, pois nada sobre isso é certo e não dá pra viver de especulação. Isso é báscio e vale para tudo na vida. Claro que devemos planejar, organizar, pesquisar, mas é preciso entender que a vida continua correndo e deve ser aproveitada agora, nesse momento, não no futuro e nem no passado. Não adianta nada perder dois anos, ou mais, em condições péssimas, com qualidade de vida baixa, em nome desse projeto, que no fim pode até não dar certo. O melhor é levar tudo em paralelo e tocar a vida. No dia que o visto estiver em mãos, aí nos organizamos para ir.

Isso é apenas minha opinião, e o que para nós está funcionando. Todo mundo vai dizer que é impossível acabar com a ansiedade, que não dá, que isso não é realista. No fim, é só uma questão de vontade e auto-controle, uma avaliação que devemos fazer . Será que vale a pena perder 2, 3, 4 anos das nossas vidas em nome desse processo de imigração, só porque não conseguimos controlar a ansiedade ?

Com calma e controle chegaremos lá da mesma forma, no tempo certo, sem estress.

Abraços

Daniel

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Canadá no Bom dia Brasil

Hoje a Globo mostrou uma reportagem sobre o Canadá que refletiu aqui no blog. Depois de vários meses sem postar, resolvi dar as caras…

A reportagem chamada “Brasileiros encontram dificuldades para trabalhar no Canadá“, mostra um lado da imigração que nós, que estamos no processo, já conhecemos bem, mas que de certa forma é mascarada pela imagem de Eldorado que o Canadá tem.

É bem provável que ao assitir uma reportagem dessas nós, futuros imigrantes, ficaremos chateados e nos sentindo atacados. Algumas pessoas se identificam com a imigração de uma forma tão profunda, que a materia é como um ataque pessoal, um tapa na cara. Assistindo ao vídeo com cuidado e se distanciando do fato de estarmos no processo, é possível ver tudo com mais clareza.

Um ponto fica bem claro : “A imigração não é para todos“, isso é uma grande verdade. É necessário dedicação, desapego, cabeça no lugar, sangue frio, muita preparação e pesquisa, só assim as coisas poderão acontecer da melhor forma possível. O Canadá não facilita a validação de diplomas e o ingresso no mercado de trabalho de profissionais com diplomas estrangeiros. A batalha para conseguir os devidos registros de engenharia, medicina, arquitetura, etc, é longa, cara e é mais uma barreira para quem chega no país. Profissionais altamente qualificados tem que encarar um recomesso nas suas áreas, para aos poucos, ao longo dos anos, retomarem o status que possuiam no Brasil. Isso requer muita dedicação e empenho. Os que conseguem não se arrependem.

Outros aspectos são abordados, como a questão dos latinos, das diferenças de salários e da economia, isso tudo tem sua parcela de verdade e é importante ser dito. O que incomoda é que outros fatos igualmente importantes são deixados de lado. Aspectos básicos como educação, noção de civilidade, oportunidades, respeito, qualidade de vida, etc, são pontos em que o Canadá é forte até para o imigrante recém chegado e sem emprego.

A reportagem é parcial, isso é óbvio e segue a lógica. Ela tem uma intenção e cumpre bem o seu papel. Para o Brasil é preocupante o fato de profissionais altamente qualificados estarem indo embora. Não há vantagem alguma em ficar estimulando a imigração nas TVs brasileiras. É visível que a edição é manipulada nesse sentido. A imagem que fica da imigração, é bem negativa e culmina com a encenação ridícula da faxineira economista saindo de casa com as malas na mão e uma frase no ar : “eu ainda acredito no meu país”.

Nós, que já estamos pesquisando sobre esse país há vários anos e que temos um processo de imigração em andamento, sabemos bem das dificuldades que enfrentamos, e que vamos enfrentar. Nada que nos apavore, ou impeça o nosso sucesso, são apenas passos que teremos que dar em direção a algo que vemos como uma evolução pessoal e uma busca por algo melhor. Essa busca vem de uma inquietação e surge em algumas pessoas, em outras não. Quando juntamos motivação, informação, paciência e planejamento, vemos imigrantes que seguem reto, como trens, sem freio, com destino certo e sucesso garantido.

Como disse a apresentadora : “…o sonho não é para todos…”

Abraços

Daniel

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Mudanças no sistema de imigração

Uma notícia publicada no site do CIC em 14 de março, avisa oficialmente sobre algumas mudanças no sistema de imigração. A intenção das mudanças é modernizar e aumentar a eficiência do processo de imigração.

Todos que estão no processo já perceberam que os prazos estão demorando cada vez mais, cartas não chegam, mais e mais pessoas decidem aplicar a cada dia. Isso vem gerando, desde 2002, uma fila cada vez maior de processos. No momento o número chega a 600.000 aplicações no “backlog” deles. Com o início do processo simplificado, acredito que a quantidade de processos aumentou ainda mais e chegou a um ponto insuportável e que vem prejudicando tanto o país , quanto os candidatos a imigrantes. O Canadá agora compete com Austrália e Nova Zelândia, que tem processos de imigração bem mais rápidos. Enfim, eles precisam dar uma balançada nesse sistema e mudanças são necessárias.

Aparentemente, as mudanças serão :

- Os processos agora serão avaliados com mais autonomia pelos oficiais de imigração. A ministra terá poderes de definir prioridades para algumas categorias de imigração. Eles poderão priorizar processos de candidatos que possuem profissões e perfis em alta demanda no Canadá. Poderão também colocar outros para o fim da fila. Basicamente, vão aumentar ainda mais o grau de seleção para fazer com que os profissionais que eles querem, cheguem lá mais rapidamente, e irão desencorajar pessoas que tem perfis que não atendem as necessidades deles, colocando na geladeira.

- Vão aumentar o orçamento paras os escritórios de imigração com a finalidade de agilizar o processamento de aplicações, e reduzir a fila.

As mudanças terão validade para quem entrou, ou entrará, no processo depois de 27 de fevereiro de 2008, mas as medidas estão sendo amplamente discutidas e criticadas e talvez nem cheguem a ser aprovadas.

Definitivamente o processo de imigração para o Canadá não é democrático e nem para qualquer um. Eles tem muito interesse nos profissionais qualificados e de alto nível, e vão priorizar esses processos. Os critérios serão definidos pela ministra responsável por assuntos de imigração, e publicados de forma transparente para que os candidatos saibam o que esperar.

Eu sinceramente acredito que eles já vem testando isso há algum tempo, devido a grandes diferenças que observamos em tempos de processos de pessoas que, aparentemente, deveriam ter timelines iguais. Agora é “quase” oficial:

Cada caso é único. Não existe mais ordem de chegada. Se você atende o perfil, ótimo… se não atende…cadeira. Profissões, categoria de imigração, etc, agora contam, e muito, para um andamento mais rápido do processo.

Aqui está o link para a notícia :

Amendments to Modernize de Immigration System

FAQ

no Toronto STAR

Para os processos anteriores a essa data, 27 de fevereiro de 2008, tudo fica como está.

Ainda sobre profissões em demanda, eu vi recentemente no site oficial de Alberta, uma lista de profissões por ordem de oferta de vagas, com média de salários, etc… A estatística é de janeiro de 2008 e vale a pena uma conferida.

Alberta Wage and Salary Info

Ahh, queria agradecer aqui ao casal de Calgary, Renato e Mildred, que ontem participou do nosso encontro, através de uma vídeo confência, super high-tech, morta de chic, com notebooks, webcam, telão, etc.. : ) Eles responderam um monte de perguntas, e ajudaram muito. E também agradecer a Karina e o André, que sempre organizam as reuniões, e a cada vez se superam. Valeu pessoal.

Abraços

Daniel

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O Jornal Nacional e os imigrantes ilegais…

Não entendi a reportagem que acabei de ver no Jornal Nacional. Na verdade entendi…e achei uma droga.

A matéria, quando foi anunciada, sugeria que o Canadá era um país rico, aberto a imigração. Até aí tudo bem… Quando a matéria foi ao ar os argumentos estavam confusos. Misturaram no mesmo saco imigração legal e ilegal. Não consegiram diferenciar as duas. A reporter não se posicionou e não foi feliz na edição da matéria. Ficou estranho…confuso… como se estivessem fazendo propaganda da imigração ilegal.

Imigração ilegal é exatamento o que nome diz. Ilegal. Errado. Crime. O jornal colocou isso como uma oportunidade, uma coisa que muitos estão fazendo. Mostraram um estudante feliz que entrou com visto para estudar inglês, largou o curso e foi “ganhar dinheiro”, como disse a reporter. O rapaz falou que estava tudo bem, que nunca viu fiscalização por lá…. Eles do jornal, no mínimo, falharam quando não se posicionaram em relação ao assunto. Muito melhor seria ter mostrado o lado legal da imigração, de forma mais aprofundada e dando esperanças reais a quem estivesse vendo TV.

Acredite… Imigração Ilegal é uma merda.

Daqui a pouco vão fazer uma novela, não com a Sol, mas com outra criatura…talvez a Neve, que vai querer imigrar para o Canadá ilegalmente, de qualquer maneira, para trabalhar na construção civil.

Resumindo.

- Se você quer imigrar. O Canadá é uma opção, e oferece um sistema muito interessante. Entre no site do CIC , leia tudo e agarre a oportunidade. Não vá ilegalmente nem para a esquina da sua casa.

Quem quiser ver a reportagem, o link está aqui

Abraços.

Daniel

PS. O lado bom da história… é que cada vez me certifico mais de que o Canadá é um canteiro de obras. Isso é bom para quem é arquiteto, como nós… Eu e Raquel não teremos problemas em conseguir emprego por lá.

Daniel

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Chegou o pedido de documentos…

Fazem 5 meses e meio que o nosso processo foi aberto. Hoje recebemos a carta pedindo os documentos. Ficamos surpresos e muito felizes de vê-la na caixa do correio, afinal algumas pessoas estavam esperando mais 8 meses para receber essa carta. Nos próximos posts falo mais dela e sobre os documentos que eles pedem.

Bem, sobre o tempo de espera, tenho uma teoria…

Com o processo antigo (Federal Skilled Worker), que era usado antes de setembro de 2006, era preciso ter todos os documentos na mão, dinheiro, etc, tudo preparado, para iniciar o processo. Já no processo simplificado somente é necessário preencher o formulário e pagar a taxa para inciar a corrida. Em setembro de 2006, quando esse novo processo simplificado entrou em vigor, muitas pessoas que estavam juntando documentos, dinheiro, fazendo IELTS, etc, enviaram seus pedidos…Todos de uma vez. Acredito que o consulado ficou sobrecarregado com pedidos que deram entrada no final do ano passado. E os prazos foram se estendendo…
A partir de março ou abril de 2007, as coisas se normalizaram naturalmente e o fluxo de pessoas iniciando o processo reduziu, voltando ao normal. Os prazos para recebimento da carta pedindo os documentos agora estão se estabilizando em torno de 5 a 6 meses. Algumas pessoas, que enviaram os formulários iniciando o processo em Dezembro de 2006, chegaram a esperar até 9 meses por essa carta. Essa demora, na minha opinião, foi decorrente do processo natural de ajuste e adaptação ao novo processo simplificado.

No nosso, enviamos os formulários em 30 de maio de 2007, quando as coisas estavam començando a se normalizar e a quantidade de processos iniciando era menor. Nosso processo iniciou em 4 de Junho de 2007 e recebemos a carta pedindo os documentos, agora, 5 meses e meio depois. Esperávamos ela em janeiro, chegamos a pensar em fevereiro…

O IELTS já foi superado, e agora é só juntar os outros documentos. Pretendemos enviar tudo somente no início do ano que vem. Ainda temos algumas dúvidas sobre os documentos, que vamos tirar diretamente com o consulado. Prometo publicar tudo aqui…

Abraços…

Daniel, Raquel e Gabi…felizes da vida.

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Calgary no topo da lista.

Como falei em posts anteriores Calgary subiu no nosso ranking e agora está no topo da lista de prováveis destinos.

Quando iniciamos a pesquisa Toronto foi obviamente a primeira opção. Pesquisamos bastante sobre a cidade e ela se mostrou uma boa escolha. A provincia de Alberta devido a sua localização e alguns aspectos culturais, ficava sempre no fim da lista. Há alguns meses atrás estávamos muito inclinados para a região de Ottawa-Gatineau.

Recentemente a Raquel, leitora assídua de blogs, começou a ler o blog Vivendo em Calgary e foi aos poucos ficando interessada na cidade. Na verdade a senhora Cravo e Canela é empolgadíssima e acha que encontrou o nosso destino definitivo. Isso é bom pra equilibrar, já que sou mais chato. Começamos então a pesquisar mais e agora a cidade figura no topo de nossa lista. Os motivos são vários…

. É inegável que o boom econômico da região gera alguns problemas, mas ao mesmo tempo gera empregos e oportunidades. A nossa área, arquitetura, é extremamente dependente de mercados aquecidos. Quanto mais necessidade houver de obras residenciais, comerciais, públicas, etc, mais os arquitetos trabalham. Quanto mais “novos ricos” estiverem decorando suas mansões, mais trabalharemos.

. Pesquisando nas listas de emprego, Calgary sempre aparece com mais oportunidades, junto a Toronto.

. É uma cidade grande, mas não chega perto de Toronto. Calgary tem uns 2 milhões de habitantes, se somada a região metropolitana, o que é algo como Fortaleza. Já Toronto, se somarmos a GTA (região metropolitana), os números devem chegar aos 8 milhões, 5 milhões. Calgary então, se encaixa bem no nosso perfil de escolha. Não é uma cidadezinha pequena e parada, e nem é uma selva multicultural como Toronto.

. Apesar do jeitão de Oeste Americano, da música country que parece ser muito popular por lá, e do Stampede, ela parece ter opções culturais para todos os gostos. Já é bem grande e desenvolvida para isso.

. A cidade parece ser bem horizontal e espalhada. È conhecida como cidade do carro. Isso é uma desvantagem, na minha opinião, mas por outro lado a oferta de casas é grande. A impressão que temos é que a cidade só é vertical na região central, o resto da cidade não passa dos 10 metros de altura. Tem muita casa e condomínio novo, tudo muito bonito. Tudo distante, mas de qualidade.

. O clima apesar de seco e frio, não tem as chuvas de Vancouver. O céu é azul, e não cinza…isso é uma grande vantagem.

. Sempre recebemos boas referências de Calgary e Alberta de forma geral. Inclusive de arquitetos que estão por lá.

. Alguma coisa nos diz que devemos ir para lá. Sabe ? Uns sinais do universo.

A cidade tem obviamente suas desvantagens, mas no momento quero falar apenas das vantagens que superam os pontos negativos.

Nossa lista no momento é algo assim :

1. Calgary

2. Vancouver

3. Ottawa

4. Toronto

5. Montreal

Quem conhece a cidade, tem mais alguma informação, ou descobriu alguma maluquice no que escrevi…se manifeste a vontade, por favor…

Abraços

Daniel.

UPDATE : O Gean indicou aqui nos comentários o blog Life in Calgary. Achei ótimo, apesar de novo ele já tem um boa lista de links, posts interessantes e promete…

UPDATE II : A Renata, que mora em Calgary, deixou um comentário com algumas observações e correções : “…Calgary tem muito emprego, e o ritimo em que as coisas acontecem aqui é bem mais rápido que nas cidades das outras provincias.  Mas vi algumas coisas que voce postou no seu blog que nao se aplicam. Calgary tem cerca de 1 milhao de habitantes, e nao 2.  E se é uma coisa que nao tem aqui é oferta de casa. Ao contrário. A demanda é muito grande, pois tem muita gente chegando e nao tem casa para todo mundo. Isso faz também com que o valor do imóvel suba. Para voce ter ideia, nós estamos pagando 1500 dolares no aluguel de um apartamento de 1 quarto. Esse valor para qualquer outra cidade, é absurdo, mas é o preço que se paga aqui.”

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Nossos motivos para imigrar não incluem a aversão ao Brasil.

Eu tento, sempre que possível, não ter uma atitude negativa em relação ao Brasil. Sempre que analisamos nossos motivos para a imigração tentamos evitar o lugar comum, onde só falamos mal do país e o Canadá aparece como uma salvação. Corrupção, violência, vamos fugir…temos pressa, isso me incomoda um pouco, pois vejo a imigração de uma forma bem diferente.

Para nós ela é parte de um processo de crescimento pessoal. Vemos a possibilidade de viver em uma nova cultura, aprender um, ou dois idiomas novos, estudar e evoluir nossa percepção de comunidade e de civilidade. Criando nossos filhos no Canadá estaremos abrindo muitas portas no futuro. Eles poderão decidir, sem barreiras, onde querem morar, estudar ou trabalhar, dentro de um universo bem maior.

Para nós morar no Canadá é uma oportunidade única e muito bem vinda. Fomos capazes e ver e aproveitar essa chance.

São esses, os principais motivos que nos levam a querer enfrentar o frio cogelante e desconfortável de lá, correr atrás de emprego, gastar muito tempo e dinheiro em 2 ou 3 anos de preparação, deixar amigos e familiares para trás, sentir saudade e dedicar 5 a 7 anos de nossas vidas para essa transição. Claro que levamos em consideração todos os outros motivos, como violência, situação econômica do país, etc, mas esses fatores dificilmente serão fortes o bastante para nos tirar daqui.

O Brasil certamente tem defeitos, mas nunca devemos esquecer que também tem qualidades. Algumas dessas qualidades são insuperáveis e estão muito além do que o Canadá pode nos oferecer.

Vá a qualquer praia, caminhe um pouco, tome banho de mar. Coma a comida de sua mãe, tome umas cervejas com seu melhor amigo, com seu pai, fale e escute português. Sinta suas raízes, veja pedaços da sua história em uma esquina, uma escola, um prédio…

Aqui no Brasil nos sentimos casa.

Na minha opinião, se você quer aprender a respeitar uma nova cultura, um novo povo, quer aprender a amar outro país, precisa primeiro respeitar o seu lugar, a sua terra.

Esperamos encontrar no Canadá um lugar longe da perfeição e que irá nos impor muitas dificuldades, mas ao mesmo tempo proporcinará a experiência e a recompensa que buscamos.

Nós vamos imigrar, mas não estamos fugindo de nada.

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5 principais fatores que podem gerar frustração no imigrante.

Aqui vou listar alguns fatores que, na minha opinião, precisam ser trabalhados com cuidado, pois tem um potencial enorme de gerar frustração e decepções quando chegarmos por lá.

1. Busca de realização profissional

Considero esse um aspecto delicado da imigração. Todos enfrentaremos dificuldades para conseguir emprego em nossas áreas de atuação. Arquitetos, dentistas, médicos, advogados, engenheiros, etc, terão de conseguir novas credencias, muitas vezes por processos caros e demorados. Esse é um lado deficiente do processo de imigração. Existe um pouco de má vontade e protecionismo por parte deles, mas a situação tende a melhorar. Nós só temos que nos adaptar a essa realidade.

Na minha opinião, se você vai para o Canadá na busca de realização profissional é preciso ter muita paciência e estar preparado para dar vários passos para trás. Desinformação e expectativas irreais podem levar facilmente a um sentimento de frustração e decepção.

Como em tudo há exceção, existem profissões como as da área de TI, por exemplo, que possibilitam um crescimento e recompensas profissionais mais rápidas. Mas, mesmo nesses casos, é preciso estar preparado, especializado e com todos os certificados em dia.

Não crie expectativas irreais. Vá disposto a batalhar novamente, mudar de profissão, ou até recomeçar tudo do zero, cursando universidades e cursos técnicos.

2. Pressa e ansiedade.

Chegando no Canadá o imigrante precisa resolver uma série interminável de coisas. Alugar apartamento, tirar documentos, descobrir a cidade, comprar roupas e utensílios de casa, passear, instalar internet, comprar celular, abrir conta em banco, se acostumar ao frio, etc etc. Isso tudo leva tempo, bastante tempo.

Após esse corre-corre inicial temos que nos adaptar a língua e a cultura local, fazer alguns cursos e ir atrás de emprego. Não adianta reclamar. Com sorte você demora uns 3 a 6 meses para conseguir o primeiro emprego remunerado. Antes disso somente uma minoria consegue. Alguns acabam demorando ainda mais, por volta de 1 ano. Cada um tem suas dificuldades e prioridades, e também dependeremos muito da sorte. È preciso ter paciência, matar a ansiedade, e dar tempo ao tempo.

Todo o processo é demorado por natureza, então ansiedade e pressa só vão gerar desanimo e sentimentos negativos. Tenha calma.

3. Falta de um objetivo claro.

Chegar por lá sem um objetivo. Sem uma meta. Chegar sem uma rotina, emprego em mente, e sem um plano, só nos deixará desnorteados, atirando para todo lado. O melhor mesmo é usar o tempo que temos aqui no Brasil para nos preparar e imaginar que vida queremos ter, e como iremos conseguir isso quando chegarmos lá. Isso fará com que nossa adaptação seja mais objetiva e eficiente.

4. Falta de um plano B.

Quando o plano A, citado acima, der errado, é bom ter um plano B debaixo da manga. Assim a casa não cai. Com sorte não precisaremos usá-lo, mas é bom que ele esteja bem guardado.

5. Criar uma imagem irreal do que encontraremos por lá.

O Canadá é um lugar como outro qualquer. Não adianta passar dois anos de preparação e processo falando mal do Brasil, procurando defeito em cada esquina e chegar por lá achando que encontrará o paraíso. Sabemos que isso não é verdade. È importante ter uma visão real de todos os aspectos que encontraremos.

Pensei sobre isso depois de ler algumas coisas negativas, principalmente no grupo do Yahoo. Nós temos uma filha e por isso tenho tanta preocupação com todos esses aspectos. Tudo isso se aplica bem ao nosso caso, mas pode não ser tão importante para outras pessoas. Muitos não gostam de planejar tanto e preferem entrar na aventura, vivendo cada dia individualmente. Não a mal nenhum nisso… é até muito divertido. O importante mesmo é manter sempre os pés no chão, a cabeça no lugar, e a atitude positiva.

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