Controlando a ansiedade
Enquanto o tempo passa e nada se define, nós, que estamos “in process”, travamos uma batalha diária com a ansiedade, incertezas, e com a vida que continua andando normalmente. As vezes é preciso parar, reavaliar a situação em que estamos e retomar o controle sobre nossas vidas.
Há alguns dias, lendo posts de um grupo de discussão que participo, me deparei com a seguinte notícia : “Canada votes on October 14″. Confesso que não entendo bem como funciona a política canadense, mas é óbvio que uma eleição, que não era esperada, agora em outubro, vai gerar um período de indefinição e consequentemente nossos processos ficarão em “stand by”. E esse é apenas um dos fatores que estão trabalhando a favor da demora na definição de nossos vistos.
Em outra frente, o governo canadense como forma de diminuir a fila e agilizar os processos, de imigrantes que eles querem por lá, já vem estudado a aplicação de novas leis há algum tempo. As leis, já aprovadas, dependem agora de estudos sobre profissões em demanda nas províncias canadenses. Os estudos estão em andamento, e quem entrou como o processo depois do dia 27 de fevereiro de 2008, está com tudo parado, esperando essa definição.
Juntando tudo isso a uma época de crise econômica mundial e recessão sempre iminente, para o candidato a imigrante, o que fica é um enorme incerteza sobre o futuro, incerteza inclusive sobre a viabilidade do processo.
Na minha opinião, a causa de toda essa ansiedade é a especulação e a falta de uma definição. Colocamos muito de nossas vidas nesse processo e ficamos ansiosos quando perdemos o controle sobre as coisas, quando vemos nosso destino totalmente indefinido, sem prazo para se ajustar. Acredito que cabe a nós tomar as rédias da situação e reduzir essa ansiedade.
Aqui em casa, as coisas estavam bem complicadas. O assunto de imigração já estava virando tema de briga, o que é exatamente o oposto do que queremos. Aos poucos fomos tomando consiência sobre algumas pontos que estavam causando todo o desequilíbrio e nos posicionamos de forma diferente diante da situação. Para nós algumas coisas funcionaram.
Tomar o controle sobre os prazos. Já que o consulado não se define, e ficar calculando prazos com base em 16, 18 meses é algo puramente especulativo, decidimos colocar nossa expectativas lá para frente. Superdimensionamos o prazo, e agora em vez de sonhar em ir esse ano, já cogitamos, pelo menos eu, a possibilidade de ir só após o inverno. Isso nós dá tempo de sobra para concluir o processo. O alívio é quase imediato, pois agora temos um prazo “definido” para ir, com uma chance muito grande de funcionar. Raquel, bem mais ansiosa que eu, quer ir em fevereiro, mas no fim, essa decisão não é nossa, ela depende do consulado.
Retomar alguns projetos parados. Fazer a reforma que precisa, comprar alguma coisa que você vinha evitando, gastar um pouco, consertar o carro. Isso ajuda bastante, pois acaba com a sensação de estagnação. Nossa vida parecia estar desmoronando. Confesso que as vezes pensava que daqui a pouco não teria mais roupa, trabalho, nem carro… Esse carro, que era nosso bem mais valioso, como toda a demora, foi se acabando e se desvalorizando. Tudo isso andava de lado, e se degradando aos poucos, tudo na mão do consulado, esperando uma definição.
Entender que o processo de imigração é algo que deve andar em paralelo, em silêncio, pois nada sobre isso é certo e não dá pra viver de especulação. Isso é báscio e vale para tudo na vida. Claro que devemos planejar, organizar, pesquisar, mas é preciso entender que a vida continua correndo e deve ser aproveitada agora, nesse momento, não no futuro e nem no passado. Não adianta nada perder dois anos, ou mais, em condições péssimas, com qualidade de vida baixa, em nome desse projeto, que no fim pode até não dar certo. O melhor é levar tudo em paralelo e tocar a vida. No dia que o visto estiver em mãos, aí nos organizamos para ir.
Isso é apenas minha opinião, e o que para nós está funcionando. Todo mundo vai dizer que é impossível acabar com a ansiedade, que não dá, que isso não é realista. No fim, é só uma questão de vontade e auto-controle, uma avaliação que devemos fazer . Será que vale a pena perder 2, 3, 4 anos das nossas vidas em nome desse processo de imigração, só porque não conseguimos controlar a ansiedade ?
Com calma e controle chegaremos lá da mesma forma, no tempo certo, sem estress.
Abraços
Daniel
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10 Comments so far
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É difícil, muito difícil mesmo colocar um projeto como esses em stand by. E olha que tentamos fazer isso várias vezes durante o percurso (até conseguimos algumas vezes), mas agora, com a proximidade do pedido dos exames e do visto (será?) fica suuuper complicado. Durante o último mês, Daniel me pergunta quase todo dia se o pedido chegou (ele anda viajando a trabalho) e ele NUNCA havia demonstrado qualquer ansiedade nesse tempo todo…
Mas uma coisa que também funcionou pra gente foi o estabelecimento desse prazo - também pensamos em ir em fevereiro. Será possível que até lá a gente não tenha esse visto?
Calma, paciência, alongamentos, exercícios… tudo de bom pra todos nós!
Bjs,
Mariana
Ooow Daniel..
É complicadíssimo lidar com sentimentos, ainda mais se tratando de ansiedade!! A gente inventa mil e um motivos pra desacelerar o coração, esvaziar a cabeça, relaxar.. mas é complicado, é nossa vida, são nossos sonhos que estão em jogo, né..?
Assim como vc e Mariana, vamos adotar o “sistema de prazo”… Vamos dar um prazo de uns dois anos e meio, três.. tudo pra conseguir manter a calma e o foco enquanto temos responsabilidades aqui no Brasil..
Beijos
Oi Daniel,
Você está certo, quando controlamos nossas emoções nos sentimos mais saudáveis e felizes. É um projeto que vai de encontro com o abalo emocional a todo momento, esperar, esperar, esperar, contudo propicia atitudes positivas de como devemos ser: pacientes, confiantes, otimistas, flexíveis, determinados. Também estou esperando o pedido do exame médico (meu processo é por Québec), mas, acredito que brevemente estaremos com o visto em nossas mãos e a sensação de que a paciência é a nossa principal virtude.
Abç,
Polyanna
Aqui em casa não está diferente. Tá duro de aguentar os dias passarem e entrar nos blogs para saber das novidades quando nada se tem de novidade, apenas que estamos exercitando nossa adrenalina e noites sem sono pensando quando, como será o próximo passo. E se tudo der errado? O que fazer depois de idealizar o bairro, a casa, o dia-a-dia. Bom uma coisa é verdade, somos maduros e por tudo que aprendemos da vida e conselhos que demos, parece que nesta hora esquecemos de tudo. Me confraternizo com todos e peço a Deus resignação e paciência para nós. Sofremos por identidades diferentes, mas todos por um sonho de podermos melhorar nossas vidas e o futuro dos nossos filhos. Paz e serenidade dentro do possível. Abraços a todos. Tania
Oi Família,
poxa vida…ainda bem que vc voltou a escrever!!!
Seu bom senso, sua coesão, resumindo…suas palavras…fazem falta!!!
Volto a dizer…boa sorte…
TUDO VAI DAR MUITO CERTO NO FINAL!!!
Abraços a todos vocês
Darlene
Oi Daniel,
Vi essa noticia ontem (24/09/08) em um jornal daqui de Calgary:
http://tapiocacongelada.blogspot.com/2008/09/novos-obstculos-para-os-imigrantes.html
Abs,
Olá família!
É impressionante como nossas realidades sedentificam.
Vivemos momentos assim também. Passamos por diversas fases e hoje, ainda há muita pergunta sem resposta. Vontade de tomar decisões e receio ao mesmo tempo porque não sabemos no que resultarão.
Hoje, continuamos a preparação: planejamento, pesquisa…, mas um pouco mais racionais e tranuilos quanto à finalização do processo. Acho, muito válido, dentre outras coisas que vocês colocou em seu post, tomar controle sobre os prazos e estipular uma data além da prevista para a viagem…esta medida alivia bastante a tensão, além, disso, temos que parar de “anular”nossas vidas e vivermos cada novo dia, cada momento aqui, afinal, não sabemos o dia de amanhã.
Abraços a vocês e, que a vitória venha em breve a todos nós!
Gislane, Wagner e Mirela
Oi Daniel,
sempre sensato em seus posts. Comigo, está sendo diferente. Não tenho sentido ansiedade nem nada disso. Mas não falo isso com orgulho. O fato é que devido a alguns acontecimentos no lado pessoal, o Canadá ficou esquecido mesmo em segundo plano. Depois de tanto esperar a carta com o pedido de documentos, acabei desleixado. Já não escrevo mais no blog nem pesquiso mais nada. Por um lado é bom porque não tenho toda essa ansiedade mas por outro lado é ruim porque é meio que abandonar um sonho antigo.
Mas não desisti. Coloquei como meta reunir todos os documentos até o final desse mês. Vamos ver se dá certo.
Aqui em casa também parei de frear o que precisava fazer: reforma, conserto de carro e até me permiti comprar algumas coisas extras. Mas é como você falou, o Canadá tem que ser um plano silencioso, uma semente que vai se desenvolvendo sem você perceber até que um dia dá frutos. Aí é só aproveitar.
Abração, muita paz (e paciência) pra vocês.
Casão
ola Daniel….sabe q depois de ler esta tua opniao no grupo de discussao….e como é algo q o Celso sempre ficava me falando e eu batendo pe por causa da minha ansiedade…passei a dar atencao…e comecei a me treinar para deixar o projeto correr em paralelo e voltar a fazer cosias q estavam paradas..e confesso q foi a melhor coisa…as vezes me pego com a ansiedade querendo tomar conta..e lembro do q vc fala de processo em paralelo…]bem pode crer ajudou aqui em casa…pois agora nao pertubo mais o celso com este assunto hihihihi
Abracos….
Olá, é difícil mesmo administrar esse tempo, ansiedade. Aqui em casa passou a funcionar qdo decidimos tempo. Já pretendíamos ir depois de 2010, então virou regra, se tudo der certo (processo), só vamos final 2010/inicio 2011. E os planos que estavam sendo deixados de lado, paralizados, há alguns dias foram retomados. Reforma, casa, carro, tudo volta ao normal, na hora da mudança a gente vê como fica. Tá recente, mas tá funcionando.
Abraços,